Jesus a beira do lago ensinando seus discipulos e o povo sobre a importancia do verdadeiro alimento espiritual

Meditação Primeiro Sábado – Junho de 2026

Artigos Meditações para 1º Sábado

Introdução - Alimento de vida eterna

Façamos nossa devoção reparadora dos Primeiros Sábados, meditando hoje o 5º Mistério Luminoso, “A instituição da Sagrada Eucaristia”. Jesus nos convida a aceitá-Lo como o verdadeiro Pão da Vida descido dos céus. Depois de multiplicar os pães e dado de comer a cinco mil pessoas, o povo vai atrás d’Ele, porque recebera o alimento material e queria mais. Jesus, porém, revela-se como o grande dom da Eucaristia, o alimento sobrenatural que nos sacia plenamente: se dele comermos, nunca mais sentiremos fome nem sede espiritual.

Composição de Lugar

Façamos a nossa composição de lugar imaginando as margens de um grande lago, junto às quais estão ancoradas diversas barcas. Uma multidão cobre o terreno entre as águas e o casario de uma antiga cidade. À frente do povo, de pé sobre uma pequena elevação, encontra-se Jesus, que se dirige àquela gente. Devemos nos ver no meio desta multidão, ouvindo atentamente as palavras do Divino Mestre.

Oração Preparatória

Ó Mãe Santíssima, Rainha do Sacratíssimo Rosário, abençoai-nos de modo especial durante esta meditação. Possamos nós, iluminados por vossa solicitude, colher desse piedoso exercício todos os frutos de amor à Eucaristia, de crescimento na fé e na prática dos Sacramentos, para seguirmos firmes no caminho que nos leva ao Coração de vosso Divino Filho. Amém.

Evangelho de São João, 6 24-35: “Naquele tempo, quando a multidão viu que Jesus não estava ali, nem os seus discípulos, subiram às barcas e foram à procura de Jesus, em Cafarnaum.

Quando o encontraram no outro lado do mar, perguntaram-lhe: ‘Rabi, quando chegaste aqui?’. Jesus respondeu: ‘Em verdade, em verdade, eu vos digo: estais me procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos. Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará. Escritura: Pão do céu deu-lhes a comer’. Pois o pão de Deus é Aquele que desce do céu e dá vida ao mundo’. Então eles pediram: ‘Senhor, dá-nos sempre desse pão’.

I – O VERDADEIRO PÃO DESCIDO DO CÉU

1. Alimento que permanece até a vida eterna

Após a primeira multiplicação dos pães, o povo ficou verdadeiramente entusiasmado com Jesus, pois Ele lhe tinha dado de comer um alimento de excelente qualidade. A multidão, que estava faminta, fartou-se e ainda viu sobrar muitos cestos cheios de pão. Aquelas pessoas então pensaram: “Vamos atrás desse homem, pois teremos sempre deste pão para comer”. Assim, no dia seguinte, foram todos procurar Jesus, ávidos do alimento que tinham saboreado na véspera.

O sinal espetacular da multiplicação dos pães era suficiente para aquelas pessoas concluírem que estavam na presença de Deus. Elas, porém, preocupadas mais com o sustento material do que com a revelação do sobrenatural, não tiraram essa conclusão. Levadas por puro interesse pragmático, limitaram-se ao pão, sem ter olhos para admirar o Homem-Deus que se manifestava a elas de forma tão extraordinária.

Contudo, apesar de a multidão O procurar movida por mero interesse, Jesus se aproveita disso para prepará-la a aceitar uma revelação muito mais importante. Em vez do alimento perecível, que diz respeito à vida terrena e que nos sacia momentaneamente, Nosso Senhor desejava dar um passo a mais na manifestação do seu amor pela humanidade: queria desvendar o mistério da Eucaristia, o verdadeiro Pão dos Anjos, que é o próprio Corpo, Sangue, Alma e Divindade d’Ele, Jesus Cristo.

Nesse intuito, procurou chamar a atenção do povo para essa iminente revelação, dizendo: “Esforçai-vos pelo alimento que permanece até a vida eterna”. Ao ouvir falar de um alimento que “permanece até a vida eterna”, as pessoas logo O julgaram capaz de operar esse milagre, pois, entre tantos outros prodígios, havia já feito um pão inigualável.

Assim, partindo da figura material para chegar à realidade espiritual, Jesus relaciona o milagre da multiplicação dos pães com um outro pão que iria nos dar.

Jesus Cristo aparece ao centro, ensinando uma multidão reunida às margens de um lago, enquanto aponta para o céu e anuncia ser o Pão da Vida. À esquerda, uma cena do Antigo Testamento mostra Moisés conduzindo o povo no deserto e o maná enviado por Deus. À direita, elementos eucarísticos, como pão e cálice dourado, simbolizam a presença real de Cristo na Eucaristia.

2. Anúncio do verdadeiro Maná

Outrora Deus havia mandado o maná para o povo judeu no deserto. Porém, as pessoas que agora procuravam Jesus, tomadas pela sua visão humana da realidade, atribuíam o milagre do maná ao poder de Moisés, que era apenas o mediador entre Deus e o povo eleito. Por isso Jesus, a fim de dar mais um passo na preparação daquela gente para aceitá-lo como o Pão Vivo, afirma: “Não foi Moisés quem vos deu o pão que veio do céu. É meu Pai que vos dá o verdadeiro pão do céu.”

Jesus chama Deus de “meu Pai”, convidando seus ouvintes a reconhecerem n’Ele o Filho de Deus. Mais uma vez, Ele os preparava para compreenderem o transcendental significado da Eucaristia, que seria instituída na Santa Ceia.

Em seguida, revelando a grande nova que tinha a lhes anunciar, Nosso Senhor diz claramente: “Eu sou o Pão da Vida. Quem vem a Mim não terá mais fome e quem crê em Mim nunca mais terá sede”.

A maravilhosa verdade foi declarada: o Pão da Vida não é senão Aquele que dá, mantém e desenvolve a vida sobrenatural, o Cordeiro imolado para nossa salvação. Nos versículos seguintes, que a liturgia deste domingo não contempla, Jesus dirá ainda mais, reforçando a infinita riqueza sobrenatural deste Pão: “Quem se alimenta com a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6, 54).

3. Anúncio repetido até hoje para todos

Este anúncio e este convite que Jesus dirigiu àquela multidão Ele os renova diariamente para cada um de nós. Embora sejamos limitados, Deus colocou em nossa alma uma abertura para o infinito, favorecendo nosso relacionamento com Ele. Por isso, nada deste mundo pode satisfazer plenamente o coração humano. Quando buscamos a felicidade apenas nos prazeres ou nos bens terrenos, acabamos decepcionados.

Quem não conhece Deus e vive, como os pagãos, atrás das coisas materiais, sempre sofrerá fome e sede, porque jamais encontrará verdadeira satisfação no orgulho e na sensualidade. Quem, ao contrário, se alimenta do Pão verdadeiro, do Pão angélico e divino que é o próprio Jesus Cristo, passa a desejar mais a Deus, a vida sobrenatural e a graça. Como consequência, é menos atormentado pelo desejo de pecar.

Com palavras sublimes, Santo Agostinho descreve a felicidade de libertar-se da fome do pecado e arder de sede de Deus:

“Comigo estáveis, e eu não estava convosco. Retinham-me longe de Vós aquelas coisas que nada seriam se não existissem em Vós. Chamastes-me, e vosso grito rompeu minha surdez. Brilhastes e resplandecestes, e vosso fulgor expulsou minha cegueira. Exalastes vosso perfume, eu o respirei e suspiro por Vós. Provei vosso sabor, e de Vós sinto fome e sede. Tocastes-me e abrasei-me no desejo de vossa paz”.

O mundo do homem velho, inclinado ao pecado, oferece bens materiais, exalta a egolatria e os apetites sensuais, mas não concede aquilo que dá verdadeira paz à alma: a Eucaristia, na qual está realmente presente Nosso Senhor Jesus Cristo.

Diante desse dom incomparável, nossa gratidão deve ser total. A melhor forma de agradecer é responder à doação de Cristo com a nossa própria doação, entregando-nos a Ele, desapegando-nos das inclinações desordenadas e buscando cada vez mais retamente as coisas do Céu para a vida eterna.

II – BUSCAR A GLÓRIA DE DEUS SEM OLHAR PARA TRÁS

A liturgia deste domingo se refere também à felicidade do homem, quando este se lança inteiramente nas vias do Divino Redentor. É o ensinamento de São Paulo aos Efésios, contido na Segunda Leitura deste domingo: “Irmãos: Eis, pois, o que eu digo e atesto no Senhor: não continueis a viver como vivem os pagãos, cuja inteligência os leva para o nada” (Ef 4, 17).

Seguindo o conselho do Apóstolo, devemos renunciar aos erros da vida passada, aos maus ambientes, às amizades inconvenientes, a tudo quanto leva ao pecado. O homem velho é guiado por uma série de princípios errados e é dominado por suas paixões. Ora, o ser humano deve escolher o rumo de sua vida mediante uma deliberação da sua vontade, vencendo, portanto, a solicitação de suas más inclinações. Se nossa meta é a glória de Deus, precisamos nos afastar de tudo quanto nos liga ao homem velho, sem sequer olhar para trás para contemplar o passado, como fez a mulher de Lot (cf. Gn 19, 26). Diz a Escritura: “O cão volta a seu vômito” (II Pd 2, 22). Não queiramos imitá-lo!

III – CONCLUSÃO

Sejamos, pois, gratíssimos a Deus que nos revelou a Eucaristia, alimento que abre a alma para uma imortalidade bem-aventurada. Neste Sacramento, recebemos benefícios muito superiores àqueles concedidos ao povo judeu com o maná no deserto, ou às multidões que foram à procura do Divino Redentor, movidas pelo mero desejo do pão material. Estes O viram e ouviram, mas não tiveram o privilégio, tão ao nosso alcance, de recebê-Lo diariamente no banquete eucarístico.

Saibamos compreender e nos beneficiar do valor infinito desse tesouro que Jesus Cristo nos doou com seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade! Com esse Pão Vivo que sacia nossa fome e sede de felicidade eterna, nossa fome e sede de Deus.

Oração Final

Ó Mãe Santíssima, Vós que nos destes o Pão Vivo descido do Céu; Vós que fostes para Ele, durante nove meses, o mais esplendoroso e bendito sacrário da Terra: ensinai-nos a amá-Lo e a adorá-Lo como Vós O amastes e adorastes. Alcançai-nos, ó perfeito Modelo de alma eucarística, uma profunda e crescente devoção a Jesus no Santíssimo Sacramento do Altar. Fazei, ó Mãe, que nossa gratidão a Ele se converta na completa doação de nós mesmos a vosso Divino Filho, inclinados, não às coisas transitórias deste mundo, mas para os tesouros eternos da glória celestial. Amém.

Fonte:
Apostolado do Oratório (Arautos do Evangelho)

Referencias Bibliográficas:

SANTO AGOSTINHO. Confissões. L.X, c.27: ML 32, 795.
MONS. JOÃO SCOGNAMIGLIO CLÁ DIAS, in Revista Arautos do Evangelho nº 128, agosto de 2012, pp. 10-17.


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