A pergunta de Jesus registrada no Evangelho de São Mateus ecoa através dos séculos e continua a provocar o coração de todo cristão: “Quem é a minha mãe e quem são os meus irmãos?” (Mt 12,48). À primeira vista, essas palavras podem parecer duras. No entanto, longe de diminuir a importância de Nossa Senhora, Jesus revela algo ainda mais profundo: a verdadeira grandeza de Maria não está apenas em sua maternidade biológica, mas sobretudo em sua perfeita comunhão com a vontade do Pai.
Maria é Mãe porque acreditou, porque obedeceu, porque serviu. Ela é o modelo mais perfeito daquele que faz a vontade de Deus, exatamente como Jesus afirma em Mateus 12,50: “Todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.” Contemplar essa passagem é um convite a olhar para a Virgem Santíssima e aprender com Ela o caminho da verdadeira santidade.
“Quem é a minha mãe?” – O sentido profundo das palavras de Jesus (Mt 12,48-50)
O contexto dessa passagem é essencial para compreendê-la corretamente. Jesus está ensinando às multidões quando lhe dizem que sua mãe e seus irmãos estão do lado de fora. Ele então aponta para os discípulos e revela uma nova dimensão de parentesco: o parentesco espiritual.
Com isso, Cristo não rejeita Maria — pelo contrário, Ele a exalta. Pois se alguém viveu plenamente essa verdade, foi a própria Virgem. Maria é a primeira discípula, a primeira a ouvir a Palavra e colocá-la em prática. Ela é Mãe porque, antes de conceber Jesus em seu ventre, O concebeu em seu coração.
Maria, Mãe pela fé e pela obediência
A maternidade de Maria nasce de um ato radical de fé. Diante do anúncio do anjo, Ela responde com um “sim” total e confiante: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38).
Essa obediência não foi cega, mas amorosa. Maria não compreendeu todos os mistérios de imediato, mas confiou plenamente em Deus. Ela nos ensina que ser mãe, no sentido evangélico, é gerar vida espiritual por meio da fé, da escuta e da entrega.
Maria viveu exatamente o que Jesus ensinaria mais tarde: fazer a vontade do Pai em todas as circunstâncias, inclusive nas mais dolorosas.
Maria, a Serva do Senhor
Ao se definir como serva, Maria revela a essência de sua missão. A verdadeira grandeza, no Reino de Deus, está em servir. Após a Anunciação, Ela não se fecha em si mesma, mas parte apressadamente para ajudar Isabel (Lc 1,39).
Essa atitude revela um coração atento às necessidades dos outros. Maria não busca protagonismo, não exige reconhecimento. Ela serve em silêncio, com humildade e amor. Seu serviço é expressão concreta da vontade de Deus vivida no cotidiano.
Ser como Maria é aprender a servir sem esperar recompensas, reconhecendo Cristo presente em cada pessoa.
Maria, obediente até a Cruz
A obediência de Maria não termina no nascimento de Jesus. Ela O acompanha ao longo de toda a vida e permanece de pé aos pés da Cruz (Jo 19,25). Ali, no momento de maior dor, Maria renova seu “sim”.
Ela aceita que os planos de Deus ultrapassam sua compreensão humana. Sua fidelidade silenciosa torna-se um testemunho poderoso de fé madura, que não depende de consolações, mas se sustenta na confiança absoluta em Deus.
Nesse momento, Maria se torna Mãe de todos nós, quando Jesus diz: “Eis aí tua mãe” (Jo 19,27). Sua maternidade espiritual se estende a todos os que desejam fazer a vontade do Pai.
O que devemos fazer para ser como Maria?
À luz das palavras de Jesus em Mateus 12, podemos aprender passos concretos para viver como verdadeiros filhos espirituais de Maria:
1. Escutar a Palavra de Deus
Maria guardava tudo em seu coração (Lc 2,19). É necessário criar espaço interior para ouvir Deus por meio da oração e da Sagrada Escritura.
2. Confiar mesmo sem entender
Nem sempre compreenderemos os caminhos do Senhor. Como Maria, somos chamados a confiar, mesmo em meio às incertezas.
3. Dizer “sim” todos os dias
O “faça-se” de Maria não foi um evento isolado, mas uma atitude constante. Cada dia traz novas oportunidades de escolher a vontade de Deus.
4. Servir com humildade
A verdadeira devoção mariana nos conduz ao serviço concreto ao próximo, especialmente aos mais necessitados.
5. Permanecer firmes nas provações
Maria nos ensina a não abandonar Deus nos momentos de dor, mas a permanecer fiéis, certos de que Ele conduz todas as coisas para o bem.
Maria, modelo perfeito de quem faz a vontade do Pai
Quando Jesus afirma que sua verdadeira família é composta por aqueles que fazem a vontade do Pai, Ele nos revela o coração do discipulado cristão. Maria é o modelo perfeito dessa verdade. Nela, a Palavra de Deus encontra acolhida, resposta e fruto abundante.
Seguir Maria não nos afasta de Cristo; pelo contrário, nos conduz diretamente a Ele. Quem aprende com Maria aprende a viver como verdadeiro discípulo.
Conclusão
A pergunta de Jesus — “Quem é a minha mãe?” — não exclui Maria, mas a revela em sua maior grandeza. Ela é Mãe porque viveu plenamente a vontade do Pai. É Serva porque fez de sua vida um dom. É Obediente porque confiou até o fim.
Contemplar Maria à luz de Mateus 12,48-50 é um convite a transformar nossa própria vida. Que, seguindo seu exemplo, possamos também ser reconhecidos por Jesus como seus irmãos, irmãs e mães espirituais, vivendo uma fé concreta, obediente e cheia de amor.
Que a Virgem Santíssima nos ajude a dizer “sim” todos os dias. Amém.
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