Meditação do primeiro Sábado de Julho 2020

Meditação do primeiro Sábado de Julho 2020

5º Mistério Gozoso

A perda e encontro do menino Jesus no Templo

Encontremos Jesus por meio de Maria

Introdução para Meditação do Primeiro Sábado:

No cumprimento de nossa Comunhão Reparadora do Primeiro Sábado, pedida por Nossa Senhora em Fátima, meditaremos hoje o 5º Mistério Gozoso: A perda e o encontro do Menino Jesus no Templo, entre os doutores. Tendo em vista a festa de Nossa Senhora do Carmo, celebrada no dia 16 de julho, contemplemos este Mistério considerando o papel da Mãe de Deus em nossa vida, especialmente no seu amparo e auxílio para encontrarmos sempre Jesus em nosso caminho rumo ao Céu.

Composição de Lugar:

Façamos a nossa composição de lugar, imaginando a cena muito representada na iconografia cristã: num amplo salão do Templo de Jerusalém o Menino Jesus se acha rodeado pelos doutores da lei com suas vistosas vestes de rabinos daquela época. Jesus, com a fisionomia iluminada por fulgor divino, discorre com desenvoltura sobre as escrituras sagradas, deixando admirados os doutores que O ouvem atentamente. Em determinado momento, Nossa Senhora e São José surgem na entrada do salão e contemplam, eles também admirados, seu Filho ensinando aos sábios de Israel.

Oração Preparatória para meditação do primeiro sábado:

Ó Santíssima Virgem de Fátima, intercedei por nós junto a vosso Divino Filho e alcançai-nos d’Ele as graças necessárias para bem contemplarmos este Mistério do Rosário. Fazei com que, ao considerá-lo, tenhamos presente a importância de nos ocuparmos das coisas celestes mais do que com as terrenas, a necessidade de sempre procurarmos Jesus quando tivermos a infelicidade de perdê-Lo, e a certeza plena de que Vós sempre nos ajudareis a encontrá-Lo em nossa caminhada rumo à eterna bem aventurança. Amém.

Leitura do Evangelho:

Evangelho de São Lucas (2, 46-49): Três dias depois, O encontraram no Templo. Estava sentado no meio dos mestres, escutando e fazendo perguntas. Todos os que ouviam o Menino estavam maravilhados com sua inteligência e respostas. Ao vê-Lo, seus pais ficaram muito admirados e sua Mãe Lhe disse: “Meu filho, por que agiste assim conosco? Olha que teu pai e Eu estávamos angustiados, à tua procura”. Jesus respondeu: “Por que Me procuráveis? Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai?”

I Meditação - Ocupar-se das coisas de Deus:

Escreve São Lucas que Maria e José iam todos os anos a Jerusalém na solenidade de Páscoa, e levavam consigo o Menino Jesus. Era costume entre os Israelitas que durante a viagem ao templo (ao menos na volta) os homens andassem separados das mulheres, ao passo enquanto os meninos acompanhavam à vontade o pai ou a mãe. O Redentor, que então tinha doze anos, depois da solenidade ficou três dias em Jerusalém. A Virgem-Mãe pensava que Jesus estava com José e este julgava-O na companhia de Maria.

1. No Templo, entre os doutores

Como observa Santo Afonso de Ligório, o santo Menino empregou aqueles três dias em promover a glória de seu Eterno Pai com jejuns, vigílias e orações, e em assistir aos sacrifícios que eram outras tantas figuras do seu próprio sacrifício da Cruz. Para ter algum alimento, diz São Bernardo, precisou pedi-lo por esmola, e para descansar não tinha outro leito senão a terra nua. Quando Maria e José não O encontraram na caravana, com suma aflição se puseram a procurá-Lo. Voltando depois a Jerusalém, acharam-No finalmente ao terceiro dia, no templo, entre os doutores, que se admiravam com as perguntas e respostas daquele menino extraordinário.

2. Ocupado com as coisas do Pai

Nesta terra não há pena que se possa comparar àquela que uma alma, desejosa de amar a Jesus, experimenta quando teme que por qualquer culpa se tenha afastado d’Ele. Foi esta a dor exatamente de Maria e José naqueles dias, pois a sua humildade fazia-lhes crer que se tornaram indignos de ter sob sua guarda um tão grande tesouro. É por isso que Maria, encontrando o Filho, a fim de Lhe exprimir a sua dor, disse: “Filho, porque fizeste assim conosco? Sabe que teu pai e eu te andamos buscando cheios de aflição”. E Jesus respondeu: “Porque é que me buscáveis? Não sabeis que importa ocupar-me das coisas de meu Pai?”

3. Prioridades espirituais

Da contemplação deste Mistério podemos colher alguns preciosos ensinamentos, os quais nos devem levar a bons propósitos. Segundo Santo Afonso, um deles é que devemos renunciar a tudo aquilo que nos separa do amor a Deus sobre todas as coisas, inclusive às criaturas humanas que nos impedem de promover a glória d’Ele. Outro valioso ensinamento é que Deus se deixa achar por quem O busca, e sempre nos concede as graças necessárias para encontrá-Lo em nossa caminhada espiritual, especialmente as graças de conversão e de mudança de vida, quando abraçamos as vias da santidade. Então devo me perguntar: estou disposto a renunciar às pessoas e às coisas terrenas que me afastam do amor e do serviço divinos? Tenho procurado “encontrar” Deus em minha vida, sobretudo quando d’Ele me afasto ao ceder às minhas más inclinações, aos meus vícios e defeitos?

II Meditação - A dor por perder Jesus

Cheios de aflição, Nossa Senhora e São José passaram a procurar Jesus entre os viajantes da caravana em que estavam e o fizeram durante três dias. Três dias de sofrimento agudo, especialmente para a divina Mãe, que não podia se conformar em ter perdido o seu Jesus.

1. Uma das dores mais acerbas

A dor de Maria pela perda de Jesus foi sem dúvida uma das mais acerbas, observa Santo Afonso.

Dor que se tornou ainda mais cruel pelo fato de que Ela não sofria em companhia de Jesus, como nas outras dores; e porque a sua humildade lhe fazia crer que Jesus se tinha afastado d’Ela por alguma negligência no seu serviço. Por esta razão aqueles três dias Lhe foram excessivamente longos e se Lhe afiguraram séculos, cheios de amargura e de lágrimas. Numa palavra, pelo amor que esta santa Mãe tinha a seu Filho, padeceu mais nesta perda de Jesus que qualquer outro mártir no tormento que o privou da vida.

2. Dor que consola as almas aflitas

Para os santos autores, esta dor de Maria deve servir de conforto àquelas almas que estão desoladas e não sentem alegria na presença de seu Senhor, como antes sentiam. Chorem, sim, mas chorem com paz, como chorou Maria a ausência de seu Filho. Se o Senhor se ausenta dos olhos da alma que O ama, nem por isso se ausenta do coração. Esconde-se muitas vezes para ser por ela buscado com mais desejo e amor. Mas quem quer achar Jesus, é preciso que O busque, não entre as delícias e os prazeres do mundo, mas entre as cruzes e mortificações, como O buscou Maria: “Teu pai e Eu estávamos angustiados à tua procura”.

3. Fonte de confiança, sobretudo para os pecadores

Além disso, neste mundo não devemos buscar outro bem senão Jesus. Verdadeiramente infelizes e miseráveis são aquelas almas que perderam a Deus. Se, pois, Maria chorou a ausência do Filho, quanto mais deveriam chorar os pecadores que perderam a divina graça. Mas a maior desgraça para essas pobres almas, diz Santo Agostinho, é que, se perdem um boi, não deixam de procurá-lo; se perdem uma ovelha, não poupam diligência para achá-la; se perdem um jumento, não têm mais repouso; mas se perdem o sumo Bem, que é Deus, comem, bebem e ficam quietos. Por isso, se tivermos a infelicidade de perder Jesus por causa de um pecado, digamos cheios de confiança a Nossa Senhora: “Maria, minha Mãe amabilíssima, se por minha desgraça eu também perdi a Jesus pelos meus pecados, rogo-vos, pelos méritos das vossas dores, fazei que eu depressa O vá buscar e O ache, para nunca mais tornar a perdê-Lo e com Ele estar em toda a eternidade.”

III - Meditação Encontrar Jesus por meio de Maria!

Entre os ensinamentos que devemos colher deste Mistério, outro há de suma importância: devemos procurar Jesus sempre, e o devemos fazer por meio de Nossa Senhora. Assim teremos a plena certeza de O encontrarmos.

1. O meio que nos possibilita de ir a Jesus

Como afirma São Luís Grignion de Montfort, a Virgem Santa é o meio de que Nosso Senhor se serviu para vir a nós, e é também o meio de que devemos nos servir para ir até Ele. Pois Ela não é como as outras criaturas que, se a elas nos prendêssemos, poderiam nos afastar de Deus ao invés de nos aproximar d’Ele. Mas a mais forte inclinação de Maria é nos unir a Jesus Cristo, seu Filho, e a mais forte inclinação do Filho é que se vá a Ele por sua santa Mãe. Assim O honramos e agradamos.

2. Caminho repleto de doçura e solicitude maternas

Sendo Nossa Senhora o meio seguro e a via reta e imaculada para ir a Jesus Cristo e O encontrar perfeitamente, é por Ela que O devem achar as almas chamadas a trilhar as vias da santidade. Se tememos procurar diretamente Jesus Cristo, por causa de sua grandeza infinita ou por causa de nossa baixeza, ou ainda devido aos nossos pecados, imploremos o auxílio e a intercessão de Maria, nossa Mãe. Ela é boa e terna, nada tem de austero ou de repulsivo. É tão caridosa que não repele nenhum dos que pedem sua intercessão, por mais pecador que seja. Pois, como dizem os santos, nunca se ouviu dizer, desde que o mundo é mundo, que alguém tenha recorrido à Virgem Santa com confiança e perseverança, e tenha sido por Ela desamparado.

3. Meio seguro, rápido e perfeito para achar Jesus

Recorrer à proteção de Nossa Senhora é o caminho mais curto para encontrar Jesus Cristo, seja porque nele não há perigo de extravio, seja porque nele se anda com mais alegria e facilidade, e, portanto, com mais prontidão. A Santíssima Virgem é um caminho perfeito para ir e se unir a Jesus Cristo, porque Ela é a mais perfeita e a mais santa das puras criaturas, e Jesus Cristo, que veio perfeitamente a nós, não escolheu outro caminho em sua grande e admirável viagem.

Nossa Senhora é também o meio seguro para ir a Jesus Cristo, porque o próprio da Virgem Santa é de nos conduzir seguramente a Jesus Cristo, como o próprio de Jesus Cristo é de nos conduzir seguramente ao Pai eterno. Tudo isso é ensinamento do grande São Luís Grignion de Montfort, que ainda nos recomenda: Estejamos persuadidos de que quanto mais presente tivermos Maria em nossas orações, contemplações, ações e sofrimentos, mais perfeitamente encontraremos Jesus Cristo, que está sempre com Maria, grande, poderoso e operante, mais do que no céu ou do que em qualquer criatura do universo. Entremos, pois, nesse celestial caminho que é Maria Santíssima, e andemos por ele dia e noite, até alcançarmos a plena união com Jesus, na eterna bem-aventurança.

Conclusão da Meditação do Primeiro Sábado:

Ao término desta meditação voltemos nossos corações para Nossa Senhora do Carmo — que entregou pessoalmente a São Simão Stock o escapulário da ordem carmelitana, com a promessa de salvação eterna para todos os que o usarem devotamente — e a Ela elevemos nossas ardorosas súplicas para que interceda por nós junto a seu Divino Filho. Alcançai-nos, ó Mãe, a graça de nunca O perdermos em nosso caminho de santificação e, caso tenhamos a infelicidade de d’Ele nos separar, que sejamos humildes e céleres em procurá-Lo novamente, através de Vós, nosso meio seguro, rápido e perfeito para O encontrarmos sempre. Amém. Salve Rainha, Mãe de misericórdia…

Saiba mais sobre a devoção clicando aqui!

Baseado em:

– Santo Afonso Maria de Ligório, Meditações para todos os dias e festas do ano, Friburgo, Herder & Cia, 1921.

– São Luís Maria Grignion de Montfort, Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, Vozes, Petrópolis, 2012.

– Mons. João Clá Dias, O inédito sobre os Evangelhos, vol. V, Roma-São Paulo: Libreria Editrice Vaticana, Instituto Lumen Sapientiae, 2012.

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